Eu tô seguindo. Até instalei o Tinder

15:00




Me rendi. Parei de esperar pelos teus sinais e aproximações. Não, não vai ter um recomeço. Você deixou claro que era um ponto final e eu não vou ficar tentando fazer dele reticências, adiando um fim que já era do conhecimento dos dois. 

Eu tô seguindo em frente. Eu sei que não parece, mas eu juro que eu tô. Eu sei também que ainda me flagram abrindo o teu contato no WhatsApp e relendo nossas conversas. É mais forte que eu, desculpe. Vi que você finalmente trocou aquela foto do perfil. Já estava na hora e adorei o teu sorriso nessa nova. 

É sério, pode ficar sussa. Tô te esquecendo. Já até instalei o tinder no meu celular, sabia? Talvez alguns encontros casuais deem jeito nessa falta que você me faz. 

Ah, eu baixei um tal de Hapn também, mas esse eu evito de usar. Ele insiste em dizer que nossos caminhos se cruzaram diversas vezes. Esse aplicativo é todo desatualizado na vida, coitado. Mal sabe ele que nós seguimos por caminhos paralelos e, dificilmente, voltaremos a nos encontrar. 

Vamos voltar pro Tinder, né? Acho que é melhor. 

'Alta demais', 'baixa demais', 'troca mas por mais'... E assim eu vou passando as pessoas pra esquerda como quem folheia uma revista numa sala de espera qualquer. Despretensiosamente, só pra passar o tempo.

Às vezes, até me arrisco a abrir alguns perfis, mas vou lendo as descrições e, por ironia, sempre tem alguma semelhança contigo. O mesmo curso da faculdade, os mesmos amigos, os mesmos interesses. Tá foda.

Saio do app e vou caçar alguma coisa pra fazer da vida. Dou uma volta pelo Facebook, uma caminhada no Instagram e volto. Abro o Tinder de novo, igual quem abre a geladeira pra pensar. Mesmo sabendo o que vou encontrar por lá, insisto.

O que me fode é o teu nome, que insiste em aparecer e trazer um milhão de lembranças. Dois bilhões de traumas. Três trilhões de saudades e quatro... Quatri... Quadri... Foda-se! Não sei o nome do que vem depois de trilhões, mas é coisa pra caralho. É isso daí. Sobra tanta falta. 

Passo o dedo pra esquerda. Nope, nope, nope. Pera! Olha esse sorriso! Like. Puta que me pariu, era você. Será que existe um prêmio pra quem dá like em ex? Se tiver, vou passar meu endereço. 

Vida que segue. Não adianta chorar pelo like derramado. Não é assim aquele ditado?!

Se der match, faz igual aquela música do Iorc: 'Chega pra cá e me dá um beijo...'



DIEGO HENRIQUE.

Prazer, Diego Henrique, 25 anos, Paulista e solteiro. Um aquariano na casa dos vinte, que brinca com as palavras e coloca os sentimentos na ponta dos dedos.


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