Poderíamos ter dado certo, porém não demos!

12:00



E quem nos via de fora jurava que éramos namorados, ficantes, qualquer coisa menos amigos, as pessoas procuravam rotular o que tínhamos e o que vivíamos e a gente só sorria, conhecíamos muito bem um ao outro para tentar entrar em um relacionamento e no fim se frustrar e acabar a amizade – preferíamos não arriscar.

Todo mundo que via o tanto que conversávamos falavam que em breve seriamos um casal, sorriamos e sempre negávamos qualquer dessas afirmações, nossos amigos diziam que era questão de tempo para que nos olhássemos de verdade e compreendêssemos que na real nascemos para ficar juntos – doce ilusão, sabíamos que a amizade sempre seria mais forte.

Sempre tivemos a liberdade de sorrir, chorar e falar qualquer coisa que nos aperreávamos, se olhassem nos nossos celulares com certeza era o número de cada um que estava registrado em chamada de emergência, pois sabíamos que independente da merda que fosse um estaria lá pelo outro, mesmo que fosse para dar bronca.

Longas chamadas, conversas diárias, confissões, até o dia que parei para te observar e reparei que eu ao seu lado que eu queria estar, os ciúmes de todas as garotas que ousavam entrar na sua vida já gritavam, a necessidade de saber como você estava andava me dominando.

Bebidas a vontade, sorrisos mais largos que o normal, dança daqui e sorri dali, até que o nosso primeiro beijo aconteceu, até hoje não sei quem beijou quem, acho que as nossas bocas se encontraram para matar a vontade que vinha de tempos. Tenho certeza que poderíamos ter dado certo, porém não arriscamos.

No dia seguinte o beijo não foi comentado e nem no seguinte e muito menos depois, as ligações diminuíram e os encontros também, no peito gritava a real necessidade de estar perto, porém, o medo de falar e demonstrar o que se sentia impedia o contato.

Encontro inesperados aconteceram, sorrisos sem graça trocamos, abraços que era possível sentir o coração palpitar, aquela troca de palavras feito pelo olhar, tudo aquilo que sabíamos que tínhamos e que não era possível apagar assim tão fácil – porém ninguém falou.

Poderíamos ter dado certo, porém não demos, logo depois seu status mudou, você incluiu uma nova pessoa em sua vida e eu fiquei ali, vendo de longe e desejando a sua real felicidade, torcendo para que ela tivesse um terço da afinidade que tínhamos.

Hoje o peito grita a saudade, os olhos entregam a falta e relendo as conversas é possível notar a falta que você me faz, mas como digo, não demos certo por orgulho ou talvez medo, de perder aquilo que jurávamos que era inabalável a amizade.

A nossa amizade quebrou e o amor brotou, não ousamos tocar no assunto, vivemos com esse sentimento no peito e nos encontrando por acaso, não precisamos dizer nada, nossos olhos falam – poderíamos ter dado certo, porém por orgulho e medo não demos e hoje lamentamos isso em silêncio.






      ANDRESSA LEAL.
Andressa, desde 1986. Mauá - SP,  1986, paulista, nascida em Santo André, criada e residente de Mauá. Enfermeira por formação, sem exercício da profissão, e escritora por paixão.
Encontra na escrita a sua rota de fuga e seu refugio único. Não é aquele tipo que se define, acredita que quem muito se define, acaba se limitando.

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