Dona Encrenca

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Eu poderia gritar pro mundo que amo aquela guria birrenta, mas como ela não gosta de gritaria, vou falar assim baixinho, de coração pra coração: "eu te amo, dona encrenca"

Eu amo olhar para ela enquanto está lendo e ver seus lábios se mexendo. E quando ela percebe que estou olhando, me dá bronca por isso. Já me acostumei com suas crises de ciúmes silenciosas ou monossilábicas, principalmente quando falo de alguém que ela não gosta (não sei o porquê) e me responde com o clássico "hm" ou finge que nada aconteceu e já vai mudando de assunto.

Eu amo a forma decidida como ela defende sua opinião e só dá o braço a torcer no último estágio, quando já se esgotaram todos os argumentos possíveis. Ela tem prazer em discordar de mim e fazer jus ao 'Dona Encrenca'. Aceitar que eu estou certo esse tempo todo? Pra quê, se ela pode dificultar tudo?

Não que eu seja a melhor pessoa de se lidar... Eu faço questão de irritá-la pra poder ter aquela cara de brava me olhando. Não muito tempo, depois ela retoma o que estava fazendo, mas não para de falar, vai abaixando a voz até que vire um resmungo. Ela me chama pelo nome inteiro e eu retruco fazendo o mesmo.

— Tu não vai parar de me irritar?

— Nunca!

— Por que eu?

Amor é isso tudo e um pouco mais. É aquela briguinha pra tirar da rotina e fazer as pazes de um jeito nosso. É o beijo acompanhado com mordida em forma de carinho. 

Eu a puxo pela cintura e a trago pra bem pertinho de mim. Sou apaixonado por aquele abraço e pela forma como nossos corações batem sincronizados dentro dele.

— Porque no meio de todas as outras eu escolhi você. Eu rodo o mundo mas eu volto e sempre caio no mesmo lugar, que é do teu lado. Mesmo com vários motivos pra ir, os motivos pra ficar me convencem muito mais.

Ela abaixou a guarda, desfez o bico e a cara de pitbull com fome. Sussurrei baixinho no ouvido dela: "Te amo, dona encrenca". Ela sorriu e me beijou. Sem dizer nada, disse tudo. Sem querer se tornou o meu mundo.





DIEGO HENRIQUE.

Prazer, Diego Henrique, 25 anos, Paulista e solteiro. Um aquariano na casa dos vinte, que brinca com as palavras e coloca os sentimentos na ponta dos dedos.

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