Não basta apenas amar.

12:00



- Cara, se você gosta dela porque não diz?

- Impossível, ela foi embora. 

- Como assim ela foi embora? Eu acabei de vê-la na casa da Rafaela. 

- Não Bruno, ela ainda mora aqui, mas eu andei meio ausente, e quando eu retornei, não encontrei mais lugar para mim na vida dela. 

- Então lute por esse lugar cara, vá lá, diga que a ama, que é louco por aquela mulher. 

- Quando estamos em um relacionamento Bruno, no início vivemos em uma completa euforia, passamos a pecar quando não levamos a mesma leveza e empolgação para quando surgem os primeiros problemas, e foi exatamente nessa hora que eu soltei a sua mão.

Ela precisou da minha segurança, eu precisava de liberdade, ela queria um colo, eu queria malandragem, eu queria que ela estivesse sempre pronta para mim, mas eu mal tinha tempo para ela, eu esqueci da satisfação do seu sorriso, do quanto eu gostava do seu abraço apertado, eu esqueci que ela ficava incrivelmente linda quando estava brava, eu esqueci que seu sorvete preferido era de chocolate, que suas músicas eram sua paz.


Esqueci de lhe devolver os livros, e um porre de coisas dela, que toda vez que entro em meu quarto me faz lembrar, que eu não a tenho mais. Eu me tornei aquele típico cara, que entrou na vida dela, invadi apenas pela adrenalina da conquista, e passado disso, eu sumia e reaparecia apenas quando eu desejava uma dose forte daquele frágil coração, para satisfazer o meu ego, por tesão, ou apenas porque eu me sentia solitário, e ela? Ela sempre estava à disposição. 


Com ela nunca houve tempo ruim, não importava se era sexta-feira 13, domingo de ramos, páscoa ou natal, se o relógio marcasse dez horas, meia noite ou sete da manhã, ela sempre estava ali, a distância de uma mensagem, ou de um apelo de meus desejos, ela não se importava com que horas haveria de acordar no outro dia, ou qual a responsabilidade que lhe esperaria, ou tão pouco o problema que teria ao voltar para realidade. Ela me encontrava, o momento parava, e dois corpos se entregavam.

Trazia em sua pele uma mistura loca de desejo com respeito e com um papo leve no final. Um beijo de despedida que já marcava o próximo roteiro sempre com o gosto de quero mais. Éramos uma mistura de músicas preferidas, com histórias parecidas e um único desejo, o de viver a vida, intensidade a definia. Ela sempre foi minha cúmplice, minha confidente, meu apoio e também o final do meu juízo. Era mais do que pele, química e hormônios. Ela era a calmaria em dias terríveis, calor que espantava o inverno e conversa boa de se ter. O que eu fui para ela? Apenas o cara que quebrou o seu coração.

- Se ela era tudo isso pra ti porque só a enxergou agora cara? 

- É simples, hoje eu a perdi, e não há mais nada que eu possa fazer.

- Se eu pudesse eu lhe ajudaria. 

- Na realidade você pode, entregaria um recado meu a ela?

- Claro que sim, o que é que você quer que eu fale? 

- Apenas diga a ela que hoje eu vivo com os resquícios de nosso término, e que de todas as mulheres que já cruzaram o meu caminho, e se deleitaram com os prazeres do meu corpo, ela foi a única que conseguiu tocar o meu coração. 

Moral: Dizer que ama não basta, estar na vida do outro não é o mesmo que se importar verdadeiramente com o outro, querer perto por prazer é egoísmo, e depois que você perder, entenderá, aqui, não basta apenas amar, a essência se encontra no valorizar.




RÊ VIEIRA
Sul-mato-grossense, escorpiana, bacharel em Direito, mas viciada nas palavras, brinca de ser poeta e é rockeira de coração. Ela é uma mistura de intensidade com a voracidade de viver, é apaixonada por livros, pessoas legais, música e é louca por vinhos.

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