É, você teve coragem

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Olho para essas páginas em branco e tento pensar algo, qualquer palavra que me faça preencher esse vazio. Primeiro o das páginas, depois do coração. 

No primeiro dia você disse que nunca teria coragem de me magoar. Que a sua missão era cuidar de mim. Foi me envolvendo na sua alma caridosa. Um exemplo, sabe? Um homem ideal. 

Você me acordava com flores, todos os dias. Virava noites ao meu lado depois de uns filmes de terror que me deixavam apavorada de medo. Você se transformou no meu melhor amigo em menos de um mês. A gente era conectado pelo universo, você dizia. Dizia que esperaria o tempo que fosse por um beijo meu. E esperou insistentemente até conseguir. 

As covinhas na sua bochecha faziam jus a sua fama de bom moço. Meigo. Romântico, até. E eu me apaixonei. 

A gente era o casal ideal. Um completava o outro. Você, com sua sabedoria de anos de experiência. Eu, com a minha alegria e sentimentalismo juvenil. A razão e a emoção. 

Não sei se devo colocar a culpa no meu otimismo extremo ou na minha enorme facilidade em ser iludida. Mas como não me apaixonar por alguém que transformou em realidade tudo aquilo que eu antes só havia visto nos mais lindos sonhos? Aqueles sonhos que, no momento em que você acorda, fica triste por desejar que fosse real. E você era. Real, palpável. Eu podia te abraçar e sentir o seu cheiro. Te beijar também. 

Você dizia que me magoaria um total de zero vezes na vida, que jamais teria coragem de fazer uma lágrima deslizar sobre o meu rosto. Eu acreditei, afinal, depois de tantas tentativas e de tanta espera, por que você me magoaria? Não faria sentido, sabe? Mas acho que fazer sentido nunca foi o seu forte. 

Um, dois, três. Eu comecei a contar desde o primeiro vacilo. Aquela vez em que você jogou minhas confidências na minha cara durante uma briga. Aquelas confidências do dia em que desabafei contigo o que tanto me doía. E você usou meu desabafo como arma pra ganhar uma batalha. Ganhou. 

Quatro, cinco, seis. Acho que já perdi as contas desde a vez em que você apontou o dedo na minha cara e disse que ninguém gostava de mim. Que eu era um peso. Insuportável até. Chata. Pegajosa. E fazia de tudo pra provar que aquela sua amiga era mais merecedora do seu precioso amor. 

Curioso, eu era perfeita. Eu merecia flores todas as manhãs. E conversas de madrugada. E declarações cotidianas. Hoje? Tô errada até quando tô certa. 

A mancha de rímel no meu travesseiro deixa o rastro do choro na noite passada enquanto eu tentava entender em qual momento você se tornou o meu pior inimigo. Em que segundo você resolveu guardar as rosas e substitui-las por uma faca. 

Mas eu não te julgo. Sua família concorda com suas atitudes incompreensíveis. Eles passam a mão na tua cabeça e me tratam como uma vilã de hollywood. Quem aprende assim? Você foi criado para manipular, errar e depois jogar tua culpa nas costas dos outros. 

Por fim, depois de muito pensar, chorar e escrever, amassei as páginas e apenas sussurrei: é, você teve coragem.




BRUNA FROTTÉ.

Taurina, fã maluca da Taylor Swift, estudante de direito por obrigação e escritora por amor.



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