Eu até te perdoo, mas eu não esqueço

16:00


Nunca fui o tipo de pessoa que guarda mágoa de algo ou alguém, mas você deixou um buraco no meu peito que nunca consegui preencher. É como se faltasse alguma coisa aqui dentro. E sempre que penso em você, por melhor que seja esse pensamento, o buraco parece se abrir e me chamar para cair num abismo de lembranças dolorosas que me assombram todas às noites. Lembranças de você. Lembranças do mal que você me fez. Lembranças de alguém que disse ser, mas não era.


Eu tento controlar. Sério. Muitas pessoas fariam questão de remoer toda essa dor até sugar o último momento dela, mas eu só quero que ela vá embora e me deixe viver em paz.

Com ou sem você, tanto faz.

Te ver chegar hoje me pedindo desculpas, dizendo que seria diferente, que me amava mais do que imaginava, implorando uma nova chance de fazer tudo ficar bem foi como um tiro no peito. Você jogou fora a chance que teve por nada. Percebeu o amor que tinha - e que eu, infelizmente, não acredito que exista - quando não havia mais o que amar. Preferiu uma aventura passageira que a certeza de ter ao seu lado alguém que te amava demais. Você esperou e chegou tarde demais.

Depois que saiu da minha casa hoje, entrei no quarto pensando no que me disse. Eu queria dormir pra esquecer, sabe? Mas eu precisei tomar minha decisão logo, não queria ter que guardar no bolso uma dor para mais tarde, quando resolvesse pegá-la de volta, ela estaria maior. Nenhuma dor é curada sozinha. Abri minha gaveta e peguei todas às cartas que já me escreveu. É louco isso de namorar um escritor. Vocês brincam com as palavras de um jeito que machuca tanto... Elas são reais no instante que são escritas e perdem completamente o sentido depois.

Em uma delas você disse que o bem mais precioso que tinha, era eu. Como posso ser o bem mais precioso pra você, se você foi procurar o que já tinha aqui, o que ganhava de mim, em outra pessoa? Você se esqueceu? Em uma outra, você dizia que não imaginava como era viver em um mundo onde eu não estivesse ao seu lado. Que irônico, não é? Já que foram as suas atitudes que me suplicaram pra ir embora. Não achou que podia me magoar, me machucar, despedaçar o coração que um dia foi seu, e depois querer que eu volte como se nada tivesse acontecido, né? É pedir demais. É esperar demais. Ia me doer demais.

Suas palavras antigas se embolaram com as novas e fizeram um nó sem fim na minha cabeça. Mas mesmo com o nó, meu coração conversava comigo em meio aos gritos de dor, que ele não conseguiria apanhar outra vez. Ele já se machucou demais. Eu chorei até dormir na esperança de acordar e tudo ter sido só um pesadelo e poder correr para os seus braços como sempre fiz. Mas era real. Você não foi leal. E ao notar isso o meu coração e a minha mente entraram em um acordo: não dá mais. Não consigo encontrar uma só maneira de continuar a partir daqui.

Desculpa mesmo!

Eu até te perdoo, mas eu não esqueço.






 STEPH ALMEIDA.
20 primaveras nem sempre tão floridas assim. Baiana do interior e libriana que nunca é indecisa. Escreve em mais blogs do que consegue contar nos dedos. Viciada em café, John Mayer, super-heróis, séries, livros, dias frios e chuvosos, pipoca, jujuba, chocolate e amores que arrepiem a alma. Passa à maior parte do                                                                 tempo lendo por amar imaginar um mundo novo e uma nova                                                          história à cada livro. E escreve com o coração - que é feito um furacão.
            
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