Me apaixonei pelo que eu inventei de você!

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Foi o teu lado doce que mexeu comigo, garoto. Essa tua fala cantada e esse teu jeitão 'tô nem aí pra nada', sabe? Mas eu sabia. 

Foram as conversas, cada vez mais constantes - e tocantes - que abalaram a minha estrutura. Posso te confessar uma coisa? Eu tava pouco me fodendo se essa estrutura ruísse. Talvez, caindo tudo eu conseguiria começar da forma correta e você me parecia muito essa forma, garoto. 

Aliás, foi esse teu lado moleque que sempre me deixou tão curiosa. Envolta. Fissurada. As tuas brincadeiras pra deixar o clima sempre mais leve faziam contrapeso com as vontades - bem adultas - que trazíamos no olhar. 

Foi esse teu par de olhos castanhos, sempre pousados sobre mim, que me fez querer enxergar o mundo que você enxergava e quando os nossos olhares se encontravam, era impossível não ver a ternura que eles carregavam. 

Te falei que eu amava te ouvir tocar e cantar - mesmo desafinado - aquela nossa música favorita? Pois é. Parece coisa de adolescente boba, mas eu fazia questão de lembrar que aquela música era nossa. No meio de tantas outras, era ela que carregava um carinho gigante, capaz de cruzar quilômetros e mais quilômetros de distância e me levar pra dentro do teu abraço. 

Lembra que eu falei que você mexia comigo inteirinha? Não tinha um fiozinho desses cabelos loiros que não estremecia com a tua presença. É, guri... No meio de tanta instabilidade, faltou você me passar um pouquinho de segurança e tudo o que eu pintei sobre nós começou a perder a cor. As palavras perderam o sentido. Não tinha mais rima, menos ainda sentido. 

Eu fui uma tola. Eu vi que as palavras ficaram vazias. Não tinham mais sentimento como antes, saca? A minha ingenuidade foi depositar meu sonho de princesa em cima do boêmio plebeu. 

E foi assim que as primeiras camadas do meu castelo de cartas vieram ao chão. Eu não resisto. Sou a louca das metáforas, desculpe por isso. Eu ainda tentei recolocar as coisas no lugar, mas percebi que, quando uma parte do castelo cai, o melhor é começar do zero de novo. 

Eu me apaixonei pelo que eu inventei de você. Eu sei que essa é uma frase daquela música sertaneja, mas não deixa de ser verdade. Eu me apaixonei por cada pedacinho teu, mas você esqueceu de fazer o mesmo. Não, não é de mim que eu estou falando. É de amor próprio. 

A vida tá foda, garoto. Mas eu espero, do fundo do meu coração, que você consiga se encontrar e quando tu olhar aí pra dentro, enxergar o mesmo que um dia eu enxerguei. 

Eu comecei a reconstruir o meu castelo. Aproveitei que estava no chão e fui empilhando as cartas, uma por uma, mas dessa vez, longe dos ventos da incerteza. 

É, talvez você tenha sido a minha metáfora mais bonita sobre o amor. Mesmo que seja um amor que não aconteceu. 

Saudades de você, garoto. Daquele garoto da fala cantada e com ternura no olhar. Mas ainda assim, saudades de você.




DIEGO HENRIQUE.

Prazer, Diego Henrique, 25 anos, Paulista e solteiro. Um aquariano na casa dos vinte, que brinca com as palavras e coloca os sentimentos na ponta dos dedos.


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