Nossa cena de adeus.

17:33



- Não dá mais. Acho que a gente precisa de um tempo afastados. 
- E qual é o sentido em se afastar de quem se ama? Ou já não ama mais? 
- Amo, pode acreditar que amo. Mas o amor nem sempre é suficiente... 
- Essa eu já conheço. Pode dizer também que o problema não é comigo e sim com você. 
- Às vezes os clichês fazem sentido, sabia? 
- Então é só isso? Acabou? 
- Não sei, talvez a gente se distancie e enxergue as coisas com mais clareza... Quem sabe a gente até volta. 
- Essa ideia de dar um tempo não funciona comigo. Obstáculos e diferenças vão existir em qualquer relação, mas quando você ama de verdade, dá um jeito de lidar com eles. 
- Mas eu não consigo mais lidar... Ou não quero mais lidar, talvez. 
- Tem alguma outra pessoa? 
- Eu estou confuso, mas não, não tem ninguém. 
- Tem certeza? 
- Tenho. 
- Prefiro que você me fale se tiver. 
- Não tem. Só preciso de um tempo sozinho. 
- Acho que não tem mais nada a ser dito. Cada um segue a sua vida, acabou. Melhor assim. 
- Você não pode me dar apenas alguns dias? 
- Agora sou eu que não consigo lidar com a sua indecisão... Ou não quero lidar, talvez. Gente confusa me assusta, me deixa insegura. 
- Então é você quem escolheu que seja definitivo. 
- Se você vai se sentir mais tranquilo assim, que seja. 

Não houve um abraço de despedida nem um último beijo de adeus. Estávamos a poucos quilômetros de distância, mas o fim nos tornava separados como se cada um estivesse em um canto diferente do planeta. As lágrimas percorriam o meu rosto, contrariando toda aquela calma que eu tentava transmitir. Eu sentia como se um pedaço do meu coração estivesse sendo arrancado à força de mim.

Pensei em gritar para você ficar, mas se eu gritasse, talvez você ficasse por compaixão, não por amor. E sem amor eu não via razão alguma para estar ao seu lado, mesmo sendo o lugar onde eu mais queria estar.






BEATRIZ ZANZINI

Beatriz Zanzini é jornalista, escritora, produtora de conteúdo e apaixonada pela leitura e pela escrita desde criança.


Deixa escorrer pelas suas mãos tudo o que toca o seu coração.

Publicou o seu primeiro livro de prosa poética em 2015 e está prestes a publicar o seu primeiro romance em 2017.


   | FANPAGE | INSTAGRAM | 

You Might Also Like

0 comentários

Subscribe